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Em breve, estarei lançando o meu mais novo romance, que trata sobre os problemas que as mulheres enfrentam desde os tempos mais remotos.
A história tem início na Espanha, onde uma jovem muito impulsiva, Carmel, jovem revolucionária com espírito missionário, deseja conhecer o Brasil. Mesmo contrariando os pais, ela resolve se aventurar, para poder ajudar as mulheres e as pessoas mais carentes. Carmel deixa a vida de conforto na corte, para seguir sua missão. A jovem espanholinha luta muito para conseguir a tão almejada liberdade e, só depois de muito sofrimento e luta, encontra o amor verdadeiro e resgata a vida que deixara ao longo do caminho.
O livro nos mostra várias facetas, muitos encontros e desencontros tanto de corpo quanto de alma. Escrevo de uma forma simples e clara, para poder atingir um maior número de pessoas.
Às vezes, o romance se assemelha a um poema realista; outras, imagino-o como um belo quadro, onde o leitor passeia e, muitas vezes, sente desejo de interagir com a tela, tamanha a realidade apresentada. Neste livro, mostro a verdade vivida pelas mulheres que sofreram tanto ao longo da história, no entanto, notamos que muitos dos fatos se repetem até hoje.
Eu, Carmen, procuro entrelaçar nas entrelinhas, o passado distante com a realidade que vivemos. Procuro deixar que minha mente flua com clareza e sinceridade. Em cada fato que eu relato, deixo-me guiar pela clarividência que invade minha mente, meu coração e meu corpo. Depois, esta mensagem passa para minhas mãos que escrevem rapidamente, como se fossem conduzidas por um anjo que invadiu o meu espírito. Frequentemente, chego a visualizar o que escrevo, e isto, mexe muito com o meu emocional.
Esta é a minha maneira de escrever!
Não sou espírita, mas conduzida pelo Espírito Santo.
Falo da alma humana! Principalmente de nós mulheres, das nossas dores, alegrias e da inteligência que recebemos de Deus.
Os personagens criam vida em minhas mãos. Por vezes, chego a conversar com eles, rimos e choramos juntos. Tornam-se seres reais, que desejam se expressar, resgatar seus direitos, através da minha escrita que, embora fictícia, é real.
Escrevo sobre o passado e o presente com a mesma clareza e amor dos seres humanos ardentes e fortes. Estes personagens apresentam-se como seres vivos, reais, de carne e osso. Esse trabalho ajudou-me a reunir forças e coragem, para poder escrever o que, principalmente os homens, nos impedem de falar. Eles querem manter nossas bocas caladas, castram o direito de vivermos a vida, e somos condenadas a vivenciar a morte, ainda que estejamos vivas. O silêncio invade nossas almas.
Desta forma lúcida e decidida, eu gostaria de gritar, para o mundo, tudo o que está travado em meu ser. Não é admissível nos mantermos amordaçadas, temos que lutar por nossa felicidade e se, mesmo assim, não obtivermos tudo o que reivindicamos, ao menos estaremos alertando as gerações futuras: nossas filhas, netas e bisnetas, enfim, todas as que estão por vir.
Temos que dar um basta a estas pessoas que nos impedem de viver!
Eu e tantas outras mulheres, desejamos falar, rir, chorar e ser participantes da vida que se nos apresenta. Mas somos impedidas. Não podemos!
Por isso, usei a literatura para desatar minhas correntes de ferro e me libertar da escravidão, em que muitas de nós ainda vivemos silenciosamente.
Desta forma, com o livro "Vida de Mulheres", desejo conseguir alertar muitas mulheres que julgam ter a sua carta de alforria, mas continuam vivendo presas.
Precisamos sair da escravidão, que nos foi imposta há tantos séculos, e da qual trazemos, até hoje, marcas muito profundas.
Carmen Sanchez Gil
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